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Rotativo do cartão: como sair e quanto ele custa

Pagar só o mínimo da fatura leva ao rotativo, uma das dívidas mais caras do país. Veja quanto custa e as saídas para parar de rolar a dívida.

Por Redação Desenrolando RealAtualizado em · 5 min de leitura · Nível iniciante

Pagar só o valor mínimo da fatura parece um alívio, mas joga o restante da dívida no crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do país. Os juros incidem todo mês sobre o que ficou em aberto, e a fatura seguinte chega maior. Entender como isso funciona é o primeiro passo para sair.

O que acontece quando você paga só o mínimo

A fatura do cartão tem um valor total e um valor mínimo, normalmente uma fração do total. Se você paga só o mínimo, o restante não desaparece: ele vira uma dívida que entra no rotativo e passa a render juros, calculados todo mês sobre o saldo que ainda está em aberto.

Imagine uma fatura de R$ 1.500. Se você paga R$ 300, os R$ 1.200 restantes entram no rotativo. No mês seguinte, os juros incidem sobre esse valor, e a fatura nova chega com o saldo anterior mais os novos gastos, mais os juros acumulados. Sem um pagamento maior, a dívida tende a crescer mês após mês.

Quanto custa o rotativo

O rotativo está, historicamente, entre as taxas de juros mais altas do crédito ao consumidor no Brasil. O valor exato muda com frequência e pode ser consultado nas estatísticas de taxas de juros de operações de crédito do Banco Central, que publica a taxa média cobrada pelas instituições.

Por lei, existe um teto: os juros e encargos cobrados sobre o rotativo e sobre o parcelamento da fatura feito pela própria instituição financeira não podem ultrapassar o valor original da dívida. Na prática, isso significa que o total a pagar, somando juros e encargos, não pode passar do dobro do valor que gerou o rotativo. Antes dessa regra, era possível a dívida crescer muito além disso.

Antes da regra de teto Com o teto de 100%
Juros podiam superar várias vezes o valor original Juros e encargos limitados ao valor original da dívida
Dívida sem limite claro de crescimento Total máximo: o dobro do valor original

Saída 1: parcelar a fatura

Quando o banco oferece parcelar o saldo do rotativo, a taxa de juros do parcelamento costuma ser menor do que a do rotativo em si, mas ainda assim pode ser alta. Antes de aceitar, compare:

  1. O CET (Custo Efetivo Total) do parcelamento, que reúne juros, tarifas e outros custos em um número só.
  2. O valor total que você vai pagar ao final, não apenas a parcela mensal.
  3. Se existe outra opção de crédito mais barata para quitar o mesmo valor.

Saída 2: empréstimo mais barato para quitar

Trocar uma dívida cara por uma mais barata pode ajudar, desde que a conta feche. O empréstimo consignado, por exemplo, costuma ter taxa menor porque o pagamento é descontado direto do salário ou benefício, mas reduz a renda disponível todo mês até o fim do contrato.

Antes de contratar, confira:

  • O CET do novo empréstimo, comparado à taxa que você está pagando no rotativo.
  • Se a parcela cabe no orçamento sem gerar nova dívida.
  • Se o prazo do novo empréstimo não é tão longo que o total pago acabe maior.

Saída 3: negociar direto com o emissor

Ligue para o emissor do cartão (banco ou financeira) e peça uma proposta de negociação para o saldo do rotativo. Peça o valor atualizado por escrito, compare com o que você pode pagar sem comprometer o essencial do mês, e só feche o acordo se a parcela couber de verdade.

Guarde o comprovante de qualquer pagamento e o termo do acordo. Pague só pelo canal oficial do cartão, nunca por boleto recebido em mensagem de desconhecido.

O que olhar antes de aceitar qualquer proposta

Antes de assinar um parcelamento ou pegar um empréstimo para quitar o rotativo, confira três pontos com calma:

  1. O valor total ao final, não só a parcela mensal. Uma parcela menor em mais vezes pode custar mais no total.
  2. Se a nova dívida substitui mesmo a antiga, ou se o rotativo continua rodando ao lado dela por causa de novos gastos no cartão.
  3. Se o motivo que levou ao rotativo foi resolvido. Trocar uma dívida cara por outra mais barata não ajuda se o gasto que causou o problema continuar do mesmo jeito.

Como não voltar para o rotativo

Depois de sair do rotativo, alguns hábitos ajudam a não cair de novo:

  1. Ajuste o limite do cartão no aplicativo para um valor que você consegue pagar inteiro todo mês.
  2. Anote a data de vencimento da fatura em um lugar visível, para não perder o prazo.
  3. Use o cartão só para compras que já estavam no seu orçamento do mês.
  4. Se perceber que vai faltar dinheiro para pagar a fatura inteira, avise o banco antes do vencimento e pergunte sobre opções de parcelamento com taxa menor que o rotativo.

Imagine Paulo, que ganha R$ 2.600 por mês e tinha R$ 1.400 no rotativo. Ele negociou o parcelamento em 6 vezes, ajustou o limite do cartão para R$ 500 e passou a pagar a fatura inteira todo mês. Em seis meses, saiu do rotativo e não voltou a usar o limite além do que cabia no salário.

Próximos passos

  1. Confira na fatura atual quanto está no rotativo e desde quando.
  2. Consulte a taxa de juros do rotativo no site do Banco Central para saber a ordem de grandeza do custo.
  3. Compare o CET do parcelamento da fatura com o de um empréstimo alternativo, se houver essa opção.
  4. Negocie direto com o emissor do cartão, com a proposta por escrito antes de aceitar.
  5. Ajuste o limite do cartão para um valor que você consiga pagar inteiro todo mês, a partir da próxima fatura.

Perguntas frequentes

O que acontece se eu pagar só o valor mínimo da fatura?
O restante da fatura entra no crédito rotativo, que cobra juros sobre o saldo que ficou em aberto. Esses juros incidem todo mês sobre o que ainda não foi pago, então a dívida cresce rápido se você continuar pagando só o mínimo.
Existe um limite para os juros do rotativo?
Sim. Por lei, os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento da fatura feito pela própria instituição não podem ultrapassar o valor original da dívida, chegando no máximo ao dobro desse valor. Confira a taxa e a regra vigente no site do Banco Central.
Vale a pena pegar um empréstimo para quitar o rotativo?
Pode valer, se a taxa do novo empréstimo for mais baixa que a do rotativo e a parcela couber no orçamento. Compare sempre o CET (Custo Efetivo Total) das duas operações, não só a taxa de juros anunciada.
Como evito voltar para o rotativo depois de sair?
Ajuste o limite do cartão ao que cabe no seu orçamento, pague a fatura inteira sempre que possível e use o cartão só para gastos que você já tinha planejado pagar naquele mês.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Desenrolando Real não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Redação Desenrolando Real

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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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